Faculdade não é para Alices

 

Tive que largar uma e me formar em outra para entender isso. ♥


Faculdade não é continuação do ensino médio. Era assim que eu a enxergava, e essa visão é justamente de quem não combina com a graduação. Como a Alice no País das Maravilhas, por não saber aonde chegar, qualquer caminho servia.


Antes de mais nada, este texto não tem o intuito de desqualificar o método de ensino, nem de desmotivar ninguém. Decidi escrevê-lo para uma versão minha que via a faculdade como algo obrigatório, mesmo sem ter ideia de qual curso escolher ou para qual finalidade.


Eu não tinha ideia de qual área seguir, mas imaginava que, fazendo tudo certinho, em algum momento encontraria uma profissão pelo caminho. E o "certinho" foi: fazer o curso no qual eu conseguisse passar.

O problema de entrar na faculdade sem saber o que se quer é que tudo se torna importante. Sem saber filtrar, tudo fica pesado e cansativo.


Quando eu participava de cursinhos preparatórios para o vestibular, sentia a aura de esperança que a maioria depositava no futuro. O sufoco seria passageiro, e, uma vez superado, tudo ficaria fácil. É triste, mas não é o que acontece. Ainda mais para quem não tem um plano claro.


O que ninguém me contou – ou o que não parecia óbvio para mim na época – é que escolher um curso é o início de uma trama muito maior. E, uma vez dentro, outras escolhas difíceis terão que ser feitas. Se você não refletiu bem no início, provavelmente terá dificuldades.


A faculdade é para quem precisa de conhecimento para alavancar projetos, objetivos, sonhos e propósitos.

Agora, se o objetivo for: "Vou seguir a maioria e, em algum momento, descubro para que sirvo...", pelo menos para mim, isso não deu certo.


Hoje, mesmo com a opinião que expus neste texto, reconheço o aprendizado que obtive no curso em que me formei. Porém, entendo agora que tudo ganha mais significado e se torna mais leve quando você está no controle do que está fazendo.


Neste ponto, você já deve ter percebido que este texto não se limita à faculdade. Portanto, para a vida: tenha seu próprio querer, e não siga os querer dos outros.



No decorrer da viagem, Alice encontra muitos caminhos que seguiam em várias direções. Em dado momento, ela perguntou a um gato sentado numa árvore:


- Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?

- Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o gato.

- Eu não sei.

O gato, então, respondeu sabiamente:

- Sendo assim, qualquer caminho serve.



Alice no país das maravilhas Lewis Carroll CARROLL, L.,
Alice no País das Maravilhas, 1865

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